Como muitos
portugueses (pelo menos os que tiveram dinheiro para comprar o aparelho da TDT),
consequência de incómodos problemas de liquidez, o meu réveillon foi passado no
conforto do lar a ver o Herman José que este ano teve concorrência de peso nas
programações televisivas de fim de ano; diria
mais, concorrência desleal. Ver um canal de televisão passar constantemente um
programa em que diversos figurões da vida política nacional se comoviam a
bajular o ministro Vítor Gaspar, entre eles, imaginem só, o Relvas (pôr o
Relvas como testemunha abonatória não lembraria nem ao Vale e Azevedo…),
provocou-me tal ataque de riso que passei o fim de ano com o prato das filhós
de um lado e uma arrastadeira do outro, não fosse o diabo tecê-las…
E que estação televisiva é que o
Governo contratou para passar a sentida homenagem? A TVI, pois claro! Tem um
público menos céptico, e os portugueses que desconhecem a existência de outros
canais, que são parecidos com aqueles portugueses que desconhecem a existência
de outros partidos, lá foram degustando as suas refeições festivas junto dos
seus entes queridos, ouvindo que o ministro Vítor Gaspar foi um aluno genial,
que o ministro Vítor Gaspar nunca aplicaria medidas difíceis para o povo
português que não fossem inevitáveis, que o ministro Vítor Gaspar trabalhou no
Banco Central Europeu e é muito considerado nos meandros da União Europeia
(esta eu acredito, devem gostar mesmo muito dele, dá-lhes jeito o seu
patriotismo), etc. Por momentos até me pareceu uma homenagem póstuma. Enfim...
Teremos um 2013 muito próspero, ou não estivéssemos todos protegidos pela magistralidade e abnegação do nosso ministro e pai,
Vítor Gaspar. Ajoelhemo-nos em agradecimento ao Sr. ministro, o Einstein da católica.
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